terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

e o processo continua...

Mais um ano terminou...outro começou...e a situação por aqui continua desgastante. A mãe cada dia esquecendo mais rapidamente...Até pouco tempo se ela ouvisse uma notícia, conseguia reproduzir...Agora mal acaba de ver alguma coisa na TV e já não sabe o que viu. Isso é triste. E irritante também, porque ela está vendo e perguntando do que se trata....mas o jeito é "engolir em seco",  nos armar de paciência e explicar, porque ela não faz de propósito, é claro.
Domingo fomos lanchar na casa da minha irmã...ai ai ai...de repente a mãe resolveu contar um fato da sua infância que a familia toda já conhece de cor e salteado. Mas enfim, todos ouviram novamente, alguns comentários atenciosos foram feitos...mas até o final do lanche ela havia repetido bem umas 20 vezes.
Nunca dizemos a ela que ela já acabou de contar, pois isso constrange, temos pena e porisso tentamos mudar o assunto, discretamente. Antes até adiantava esse recurso, agora não mais, pois ela volta ao "tema" do dia e fim. Para quem a vê pouco é até suportável, mas pra mim a cada dia fica mais insuportável, pois estou em contato direto. Minha sorte é que viajamos bastante nos finais de semana, então eu vou num carro e a mãe em outro...e tanto na praia quanto no sítio nunca estou sozinha com ela. São momentos que aproveito
para tentar relaxar um pouco. Minhas irmãs fazem a minha parte e eu descanso.>













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terça-feira, 8 de novembro de 2011

a luta continua

Antes de começar meus relatos quero agradecer às pessoas que tem me acompanhado pelo blog e que deixam seus comentários nas postagens. Não estamos sozinhos nessa luta, isso é bom de se lembrar, sempre.
...............
A situação com minha mãe continua, para quem não convive diariamente, a mesma coisa. Mas para quem está bem próximo não...a cada dia ela esquece mais rapidamente os assuntos presentes, fixando seu pensamento e palavras em coisas do passado. Parece que ela "escolhe" um tema para o dia e fala, fala, fala,  repete seguidamente...oh! Só por Deus mesmo é que eu aguento!!!
Estou aprendendo, a duras penas, não me incomodar tanto. Claro, ultimamente estou sendo medicada - vou todo mes à psiquiatra que me receitou um antidepressivo que realmente me faz um bem enorme. Relutei em buscar ajuda, mas no final das contas percebi que não ia me ajudar em nada´, ao contrário, eu estava mesmo era me prejudicando...muito stress, angústia, desânimo, questionamentos, culpas, enfim...eu estava entrando num processo de síndrome do pânico. Querendo ou não, o cuidador de um portador do DA tem, necessáriamente, que buscar ajuda também.

A Wilma, que fez um comentário, diz que a mãe sempre foi agressiva e agora potencializou...querida, tranquilize-se - tudo passa um dia. Se vc chegou a ler as primeiras postagens do blog vai ver que eu estava em crise justamente porque não suportava as agressividades da mãe...Hoje percebo, tristemente, que precisou que ela desenvolvesse esse mal para que pudéssemos nos dar bem...porque a fase da agressão já passou. Atualmente minha mãe está  "um doce de pessoa"... , tudo o que sempre sonhei em ter como mãe e nunca tive, nem eu nem meus irmãos, claro!

A medicação agora é o Exelon de 6,0mg.  Fizemos os exames ´de rotina semana passada e os resultados foram espetaculares, tudo nela vai muito bem, obrigada... só mesmo a memória que a cada dia a afasta mais e mais do mundo real.
Até quando? não sabemos. O jeito é ir levando.




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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

um dia muito triste

O dia hoje amanheceu bonito, com sol...apesar de um resfriadinho chato, comecei a faxinar o meu apto. que anda deixado de lado por causa dos muitos trabalhos artesanais que tenho por fazer.
Bem, oque chateou muito agora há pouco foi a triste notícia que recebi da parte de uma de minhas irmãs...Ela veio até o apto. da mãe para dar o jantar, já que eu precisei sair para dar uma aula de reforço escolar. Oque ela me disse foi algo que sabíamos que um dia aconteceria, só não esperávamos (bem lá no fundo) que isso pudesse acontecer com a "nossa" mãe. Parece irreal, um pesadelo. A minha preocupação sempre foi que um dia eu poderia ir até a mãe e ela não me reconhecer, mas aconteceu ontem à noite com a minha irmã. A mãe simplesmente conversou (sobre os mesmos assuntos de sempre: os que já são falecidos), mas falava como se a minha irmã fosse uma de minhas tias... ela se referia aos irmãos falecidos como se somente ela e essa minha tia estivessem vivas.
Com jeitinho minha irmã foi explicando o equívoco e então a mãe parou de falar, olhou pra ela e disse..."ai...estou confundindo tudo, deixa eu pensar ..."...e logo em seguida disse "não adianta, esqueci tudo", não sei nem do que estava falando. Minha irmã deu voltas no assunto para que ela não se preocupasse, mas depois de um tempo ela voltou a se referir à minha irmã como sendo a minha tia (a ultima que faleceu, agora só minha mãe está viva). ISSO É ABSOLUTAMENTE LAMENTÁVEL, TRISTE, ANGUSTIANTE.
Mas é a vida. Infelizmente temos que passar por essas coisas...faz parte. Só Deus pra nos dar forças.
abç

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sábado, 4 de junho de 2011

abaixo assinado - grupo alzheimer -

Querido leitor - visite http://alzheimeronline.com.br/ e vá até ABAIXO ASSINADO.

Conheça o trabalho do grupo, as propostas, as ações...PRECISAMOS NOS UNIR para que haja uma interferencia a nivel de Governo Federal...

A causa é nobre, a luta e grande...só venceremos com a UNIÃO!!

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04 de junho 2011 - mãe costurando...

Um amigo nosso estava precisando que alguém fizesse bainha numa imensa toalha de mesa (imensa mesmo...5m x 1,60m)...me prontifiquei a fazer o trabalho mas depois tive a ideia de colocar a mãe pra costurar em sua velha máquina (a pedal).

E não é que deu certo?? Ontem subi e levei a tal toalha...expliquei o que era pra ser feito e desci pro meu apto. Voltei uns 10 minutos depois pra ver como as coisas estavam indo...e a mãe ainda não havia começado a costurar, pois não conseguia colocar a linha na agulha. Enquanto eu a colocava, eis que ela me disse:  "nossa! só agora me lembrei que tenho óculos!". Bem, ela fez um dos lados e parou para o almoço e claro, se esqueceu totalmente da toalha. No final das contas, fez todo o trabalho e bem caprichado! Fotografei. Expliquei que era para que depois ela não dissesse pro nosso amigo que "nunca ví essa toalha"... Ela riu e se deixou fotografar.
TEnho tido essa atitude ultimamente...falo oque vou fazer e porque - porque ela esquece, porque ela teima, porque ela tá parecendo criança...falo em tom de brincadeira, ela rí muito e não se importa com nada.



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04 de junho 2011 - colocando o blog em dia.

Marquei, há um bom tempo, uma consulta com uma terapeuta ocupacional, já que minha mãe aos poucos foi parando com todas as atividades artesanais que tanto gostava de fazer: o ano todo ela ia preparando panos de prato para no Natal oferecer no mínimo 6 a cada uma das mulheres da família - filhas, noras, netas, namoradas dos netos...amigas da familia. Todos decorados, com barradinhos em crochê, etc e tal. Aos poucos foi parando, parando...hoje não se lembra mais como fazia os biquinhos, os trabalhos. Nem tricô (suas sapatilhas de lã para dormir eram famosas), nem bordado. Nada. Passa o dia olhando pro teto, vê pouca TV porque não gosta de mais nada, não lê mais nada também. Dorme bastante. Muito mesmo. Bem, marquei a consulta e ela não aceitou ir, de maneira alguma...ainda estava na fase das birras e teimosias.
Resolvi então que eu mesma tentaria incentivá-la a fazer algum artesanato. Nada feito.
Mas agora, na fase da "não reação" a nada, aceitou fazer alguma coisa. Comprei panos de prato de saco, brancos, fiz o contorno de pequenas galinhas com tinta dimensional e então pedí à mãe que pintasse com tintas bem coloridas... DEU CERTO!! Abaixo vcs poderão ver os panos de prato pintados por ela, sob minha supervisão:

Foram 9 panos de prato. Embrulhei bem bonito e levamos de presente pra minha irmã, para levar pro sítio...Quando chegamos à casa da minha irmã, entreguei e disse que havia sido pintado pela mãe...ao que a mãe imediatamente perguntou: "eu pintei?? quando isso??? eu não sei pintar...nunca ví esses panos de prato...". Bem, ela pintou durante a tarde e levamos pra minha irmã à noite!!! Agora vou começar a fotografar tudo que ela fizer...só assim ela acreditará...rs rs.


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04 de junho 2011 - fatos interessantes

Nesta nova fase de enfermidade da minha mãe, notamos que ela não reage negativamente a nada...Antes, pra irmos pra casa da praia de minha irmã, era um verdadeiro "baile". Ela não queria ir, brigava, teimava, deixava todos extremamente nervosos, aborrecidos...era um horror. Hoje simplesmente chego até ela e digo que vou fazer as malas porque vamos viajar. Simplesmente ela não diz nada contrário, até ajuda procurando alguma roupa, etc. Também não fica insistindo pra voltarmos, não reclama de nada, absolutamente nada. Ama ficar arrancando matinhos da horta, varrendo o deck da piscina, molhando as plantas...se distrai. Come o que oferecemos - e temos o cuidado de preparar a alimentação dela do jeito que ela gosta.
Costumamos intercalar os finais de semana, já que minha irmã tem um sítio numa cidade próxima aqui de S.Paulo e alí minha mãe não dá trabalho nenhum nenhum...só os óbvios - temos que ficar de olho o tempo todo, senão ela é capaz de tentar subir em árvores, balançar no balanço da bisneta (que por sinal fica próximo do lago), enfim...é uma criança a ser cuidada. Fora isso, não dá trabalho mesmo. Tendo a comida pastosa, as bananas, o leite...e muito matinho pra ela arrancar e "mudas" de tudo que é coisa pra ela trazer pra s.p. e plantar na sacada do apto. onde mora...está tudo bem!

e a vida segue...Veja fotos:

minha irmã e minha mãe voltando de uma caminhada pelo sítio



mãe arrancando matinhos ao redor da casa do sítio
mãe e sua mudinhas de plantas...

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04 d junho 2011 - um ano após a última postagem

Um ano se passou...muita coisa aconteceu. Não registrei nada nesse período não porque nada estivesse acontecendo, mas a correria do dia a dia, as muitas coisas pa fazer e resolver acabaram me "roubando" o tempo, o ânimo e a disposição para escrever. Mas retornando:
A situação da mãe se agrava a cada dia, mas pela graça e misericórdia de Deus e ao tratamento medicamentoso adequado,  muito lentamente...Atualmente já não faz birra, não reage a nada... Vê  televisão mas não sabe reproduzir qualquer informação...muito raramente se lembra de algo que tenha chamado sua atenção. Parece que vive num mundo à parte, não sei como explicar. Muitas vezes se digo a ela que o almoço não demorará a ficar pronto, ela diz: " ah! por mim não se preocupe, pois ontem eu fiz arroz e sobrou um pouco e hoje comi com ovo frito...". Agora um detalhe: há mais de um ano ela não cozinha absolutamente nada, nem tem mantimentos nos seus armários...
Tudo é feito por mim. E já não come alimentação sólida, tudo tem que ser pastoso ou mesmo líquido. Me desdobro para variar bastante o cardápio. Só assim ela se alimenta. Continua comendo muitas bananas. Outras frutas só eu oferecendo...
Minha mãe vive no passado. E repetitiva...sóDeus pra dar paciência pra ouvir zilhões de vezes as mesmas histórias. Parece que ela elege um "tema" e naquele dia não para de repetir o mesmo assunto.
A medicação aumentou a dosagem. Atualmente toma Excelon de 4,5mg mas já na próxima semana vou retirar na dosagem de 6,0mg.
E assim vamos levando a vida...

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sábado, 5 de junho de 2010

Corpus Cristi... um susto.

Resolvemos, minha irmã e eu, que seria bom se passássemos um tempo em S.Vicente  para que a mãe tivesse melhor qualidade de vida, pois sempre é agradável caminhar pelo calçadão, ver o mar, etc e tal.
Descemos uns dias antes do feriado e tudo ia bem, a mãe se alimentando pouco mas regularmente, caminhavamos  num horário agradável e ela estava bem. De repente na véspera do feriado ela disse que estava com sono logo depois do almoço e se deitou. Dormiu a tarde inteirinha e quando foi no inicio da noite minha irmã a acordou para que se alimentasse... E foi aí que começou nosso drama. Ela acordou e olhava pra minha irmã como se não soubesse quem ela era... parece que fez um esforço muito grande para reconhecer a filha. Disse em seguida que estava confusa, não sabia onde estava...pensava que tinha deitado na cama dela mas não aquela e sim na casa dela em S.Paulo. Não sabia que lugar era aquele (e ela conhece bem o apto, sempre vamos lá). Continuou dizendo que estava passando mal, com náuseas...minha irmã explicava que ela havia se alimentado há mais de 7 horas e não era possível que alguma coisa estivesse fazendo mal porque o estômago estava vazio... além do mais que havia comido só alguns pedacinhos de legumes. Resumindo: foi piorando, piorando... e conseguiu vomitar um pouquinho de líquido. Resolvemos voltar pra S.Paulo imadiatamente e a levamos direto para o hospital do Convênio. A viagem apesar de rápida foi penosa, pois ela gemia e dizia que queria dormir, queria ir pro quarto dela...No hospital fizeram exame de urina, sangue, radiografia do tórax, etc... e o resultado  TUDO ABSOLUTAMENTE NORMAL.
Aplicaram soro e depois de uma noite toda ali, finalmente fomos pra casa dela, onde ela pode repousar tranquilamente até as 11 h do dia seguinte. Como eu moro embaixo, estou bastante em contato, tenho passado a maior parte do tempo lá, observando, a cada duas horas, a partir das 8:30h da manhã.
Ela toma o desjejum e dorme novamente, depois eu ofereço meio copo de Gatorade e metade de uma fruta, depois mais tarde almoço - estamos oferecendo tudo bem pastoso, já que observamos que alimentos sólidos ela não aceita mais. Temos nos preocupado em oferecer alimentos variados, para que não fique uma pasta insossa e ela tem aceitado bem, chega a tomar 2 conchas.
No meio da tarde ofereço ou biscoitos, waffers, bolo caseiro e um copo de leite com complemento alimentar receitado pela geriatra. À tardinha ela come purê (batatas, ou cenoura, ou mandioca), mais Gatorade e às vezes, quando ela consegue se manter acordada, leite com chocolate antes de dormir.
Foi um grande susto e nos parece que ela "desceu um degrau" a mais na enfermidade. Está tomando antidepressivo que a geriatra receitou...os remédios todos...Não falta nada a ela, mas parece que nada está adiantando. Dra. Paulo talvez mude para o Exelon...para ver se acontece alguma pequena melhora.
Estamos todos arrazados na familia. A partir de hoje já não a deixaremos mais sozinha à noite. Cada dia vamos nos revezar para que não aconteça dela precisar se levantar à noite e cair.
Que Deus nos ajude a cuidar direitinho dela.




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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Visitando a geriatra..

Fomos à geriatra hoje.
Esclarecemos tudo que tem acontecido e ela agora passou um antidepressivo pra mãe, bem fraquinho, pra ver se o humor fica um pouco mais equilibrado.
Lamentavelmente falamos tudo que tínhamos que falar ali, na frente dela... e ela não teve reação alguma. Por um momento achei que ela estava ficando triste, que poderia chorar - afinal desfiávamos uma lista toda de problemas, mas não. Quando ela disse qq coisa, foi que "as filhas acham que eu tenho que comer como elas comem". Dra. Paula nos orientou a "mudar o foco" da mãe pra esse assunto (alimentação).Vamos ter que ter criatividade para que ela possa comer alimentos de qualidade, mesmo que seja em horários esquisitos.
Hoje meu irmão voltou pra casa dele e estamos sem saber porque isso aconteceu, assim repentinamente.Ontem ele encontrou a mãe "dançando lambada" na frente de televisão, com uma foto do pai junto ao peito (o pai morreu há mais de 36 anos). Será que foi esse o motivo? ele ficou muito abalado.
Bem, seja lá oque for, temos que contratar alguém urgentemente pra cuidar da mãe. A ideia do "day care" está sendo descartada, melhor ter alguém dentro de casa, acho que a mãe se sentirá mais tranquila.
Está dificil...mas aos poucos iremos nos entendendo e a mãe vai continuando sua vida da melhor maneira possível.

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visita à geriatra...

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

O mundo está caindo sobre nós...

Ou já caiu e só agora estamos nos dando conta disso. Tá complicadíssimo. Até março, quando do meu último post, as coisas estavam relativamente bem.Nesse dia comentei que ao voltar da Paraiba eu encontrei a mãe muito debilitada...e claro, não era por saudade de mim não. Ela realmente deu uma "piorada" violenta. Está pesando uns 35/36 kg no máximo. Não come, embirra, enfim...se deixar só come arroz e ovo. Eu levo o almoço pra ela...deixava que fizesse o arroz e o feijão, pra se sentir útil e eu providenciava as misturas - carnes, saladas, legumes e verduras cozidas. Eu moro no apto. debaixo do dela, telefonava dizendo que estava subindo e quando lá chegava, eis que ela estava terminando de comer, oque? arroz e ovo frito. Uma tarde de domingo passou mal, fraqueza - levamos ao hospital do convênio, recebeu bastante soro e saiu "novinha em folha". A alegria durou uma semana e a rotina voltou. Agora pegou uma mania - ou desenvolveu mais uma característica da enfermidade, não sei. Mas não pode ver os filhos reunidos,ou os netos...ela se afasta, deita e como afirma minha irmã, "se finge de morta"...Pode chamar, gritar, fazer oque quiser... ela demora pra "acordar" e responder. Ou então diz que está passando mal do estômago...ou qq outra coisa. Desde que chame atenção. Na verdade, ela tem uma saúde ótima...tudo perfeito: colesterol, pressão, triglicerides...não tem infecção urinária, nenhum mal físico. Só a memória mesmo é que está cada dia pior. Nos últimos 15 dias está realmente um horror. Passa a maior parte do tempo dormindo. Só se alimenta porque eu subo toda hora com alguma coisa diferente - bolo, sustagem, vitaminas, sopas, etc e tal. Come tão pouco, tão pouco que dá desespero. Outro dia conseguiu almoçar metade de uma almôndega e só. Nós os filhos estamos totalmente perdidos. Meu irmão está novamente passando um tempo com ela, mas trabalha o dia todo e só volta à noite...pelo menos ela tem companhia à noite. Eu continuo subindo a escada a cada hora. Ela já não sai mais sozinha pela rua, só quer ficar deitada. A zeladora do prédio, que a conhece há 5 anos outro dia me contou que a encontrou outro dia há uns 20 m. de casa, totalmente perdida, falando sozinha "onde estou?onde estou?" e virando em volta. Ela a levou até o apto. mas a mãe não a reconheceu, perguntou quem era ela e onde morava. Depois outra vizinha disse que a mãe bateu na porta dela dizendo que era pra me chamar em casa que ela não estava bem. A vizinha veio até o meu apto. mas eu havia ido até a padaria...voltei em seguida e a vizinha me disse que perguntou à mãe se tinha algum telefone que pudesse me chamar. A mãe disse a ela que não, que ninguém dá o telefone pra ela e que ela também não tem telefone em casa...Puro delírio, ela tem tudo bem detalhado em lugar de facil acesso...e claro, tem telefone na cabeceira da cama.
Bem, a familia - meus irmãos e eu, estamos totalmente sem saber como agir ou oque fazer: pagar para alguém ficar com ela, não é possível. Nem a faxineira que ela conhece há 15 anos ela quis mais...a moça faz a faxina quando a tiramos de casa. Asilo, nem pensar, ela ainda tem muita lucidez e isso seria enviá-la pra morte. Pensamos e encontramos, depois de muita busca, uma casa de repouso ótima, que trabalha com o sistema "day care". Não é tão barato, mas pensamos em levá=la pelo menos duas vezes por semana para poder ter contato com pessoas da mesma idade e onde há fisioterapeuta e terapeuta ocupacional...Mas ela cismou que a queremos internar e avisou que vai fugir e que ninguém mais saberá dela.
Pessoa difícil ela sempre foi... agora está impossivel.
Que fazer? qual a melhor opção? como não sentir culpa?? (pq seja lá o que façamos, parece sempre que não é o mais certo)...
enfim, vamos esperar pra ver.
Semana que vem a levarei para o day care e ficarei junto todo o tempo necessário para que ela se adapte.
Ufff.

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sexta-feira, 5 de março de 2010

depois de longo período sem escrever...

aqui estou eu novamente.
Nesse período de mais de um ano sem escrever, algumas coisas mudaram por aqui. Eu me mudei: saí da casa da minha mãe (onde eu estava pra enlouquecer) e passei a morar no apto. debaixo do dela. Minha vida mudou pra melhor, graças a Deus. Acho que a da mãe também. Comecei como combinamos:cuidando da alimentação, ida a médicos, buscando remédio na farmacia de alto custo, etc. Mas...logo logo ela desistiu e passou a recusar a comida feita por mim. Prefere fazer sozinha. Deixei e a coisa foi caminhando, pois discretamente eu "vigiava" e também a minha irmã fazia o mesmo, pra ver se realmente ela se alimentava. No final do ano passado a mãe começou a ficar mais repetitiva. Ainda caminha no parque pelas manhãs, vai à igreja sozinha, lava, passa...cozinha, teima, não ouve conselhos nem opiniões, faz o que quer, como bem entende.E fala. Fala, fala, fala...Tivemos um final de ano tranquilo, na praia, como sempre.
Viajei dia 02/2 pra Paraiba e quando voltei, dia 24/2 ví o que não gostaria de ter visto: a mãe muito mais magra, desanimada, e muito mais esquecida que antes. E não é por ter sentido minha falta não, pois meu irmão estava passando um tempo na casa dela e minha irmã sempre passava por aqui.Creio que era hora de aumentar a dose de galantamina. Minha irmã a levou à geriatra, que aumentou novamente a dose, agora já está em 24mg (começou com 8 mg e a cada 6 meses tem aumentado). O teste feito pra efeito de retirada do remédio na farmácia de alto custo também piorou.
Eu, que havia me desestressado lá na Paraiba, em menos de 2 semanas já estou estressada novamente. A proximidade com minha mãe é insuportável mesmo, ela consegue irritar a todos, quem está perto e quem se mantem longe também. Que poder!!
por enquanto é só.

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domingo, 25 de janeiro de 2009

passando por aqui...

Pois é...tudo está tão em ordem que não posto mais nada desde novembro/08. A mãe continua tomando Galantamina e só. Está ótima, continua lendo o jornal pela manhã, limpando a casa sozinha, lavando louça do almoço...costurando alguma coisinha, bordando, fazendo seus panos de prato. E claro, invadindo meu espaço e minha vida. Só não brigamos porque resolvi calar a boca para sempre. Vivo mais calada, enfiada no quarto fazendo meus artesanatos, enfim, minhas atividades... além de fazer a comida, claro. Nesta proxima semana finalmente vou poder me mudar para o apartamento de baixo. Estou ansiosa, porque vou poder voltar à vida, ou seja, vou poder conversar até bem tarde com meu filho, ver TV sem me preocupar com barulho, f azer as coisas do "meu jeito"...nem acredito!!!

Quanto à mãe, já combinei com minhas irmãs: durante a semana vou continuar cozinhando também pra ela, sem problemas. Acompanharei a médicos, levarei para passear pelas ruas vendo vitrines, etc...tudo normalmente como agora. Mas final de semana, cada uma será responsável por alimentar, conversar, passear...quero PAZ!!! Finalmente quero PAZ!!!
e que Deus nos ajude...

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domingo, 23 de novembro de 2008

tudo continua igual, graças a Deus

Mais de um mes que não escrevo... Mas estar aqui hoje não significa que houve alguma coisa negativa, como das outras vezes. Ao contrário, tudo continua muiiiiiiiito bem, graças a Deus. A mãe continua esquecida, confundindo muitas vezes os dias da semana, mes e ano... mas no mais está ótima. Continua fazendo suas caminhadas sozinha, no Parque da Aclimação, duas vezes ao dia: pela manhã e à tarde. Continua arrumando a casa sozinha, sem me deixar fazer nada, la va suas roupas, passa a ferro... só não cozinha. Mas isso ela sempre detestou e sempre que fez, por força da obrigação, fez bem mal feito. Então ela dá graças a Deus que eu me encarregue disso... e como eu gosto de cozinhar, vamos indo bem. Logo meu filho e eu mudaremos daqui, iremos para o apto. debaixo desse onde estamos. A mãe vai ficar sozinha, do jeitinho que ela quer e gosta...
Louvo a Deus por ter feito a enfermidade "regredir", por assim dizer...eu jamais teria paciência em cuidar caso as coisas piorassem...Tudo faz parte de um histórico familiar, histórico de relacionamento mãe/filha...é muito diferente de alguns que tenho lido... acredito que quando se recebeu amor genuino, cuidar de um demenciado não se transforma em fardo, mas em Fato (citando as palavras do Rodrigo no blog "quando pais viram filhos"), mas no nosso caso, certamente seria um fardo pesadíssimo. Graças a Deus Ele tem v isto o esforço sobrehumano que faço para continuar convivendo ali com ela, o quanto é dificil, às raias do insuportável...tanto que vou sair dali. Espero que ela nunca se torne essa criança que a DA tão cruelmente cria...

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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

a vida continua...

... e graças a Deus, tudo absolutamente dentro da normalidade. A mãe está ótima, se alimentando bem, fazendo seus panos de prato... e pasmem!! fez flores com sianinhas, colocou os miolos bordados, fez bico de croche...Para quem anda um tanto esquecida, até que ela está muito bem. Louvo a Deus por esse estado de mesmice...pelo menos não está piorando...Espero que não piore nunca. Tem se lembrado que minha irmã viajou para N.Y com minha sobrinha... lembrou hoje sobre o dia que retornarão... enfim, está bem mesmo. Fico feliz e tranquila porisso. Deus é fiel e está no controle.

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domingo, 5 de outubro de 2008

um link mais que necessário...

Aqui está...

http://www.cuidardeidosos.com.br/2008/08/15/congresso-de-alzheimer-faz-manifesto-as-autoridades-brasileiras/

PESSOAL, VAMOS ASSINAR ESSE MANIFESTO, PARA QUE NOSSOS POLÍTICOS ACORDEM E TOMEM POSIÇÃO A RESPEITO...

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motivo de preocupação...

Estou preocupada. Estamos para nos mudar de apto, pensamos ir para o mesmo condomínio onde reside minha outra irmã...isso facilitaria muito nos cuidados com a mãe. Mas estou com receio, muito receio que essa mudança a faça "se perder"... Já comuniquei minha irmã sobre isso, teremos que fazer a mudança sem que a mãe participe da confusão que isso significa. Ela já se perde dentro do proprio quarto, ainda que o reconheça como seu quarto... mas nunca acha as coisas que necessita e que ela mesmo cuida, como as linhas, agulhas de trico e croché, etc...
Não quero nem imaginar como vai ser isso ... tenho receio que a mudança de apto, de rua, de bairro, etc acabe por gerar mais problemas que a solução que esperamos.
Isso só saberemos no momento... mas...

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Até aqui vamos vivendo...

Há vários dias não posto, como sempre porque tudo está dentro do "normal". Nenhuma novidade da parte da mãe: ela continua completamente perdida no que diz respeito ao dia da semana, mes e ano. Continua perguntando zilhões de vezes a mesma coisa, mostrando a cada hora o último trabalho que fez em crochê (barradinhos em panos de prato), continua também não querendo tomar o remédio (galantamina), mas sempre tomando direitinho... Eu não consigo compreender como alguém pode esquecer uma coisa no mesmo momento em que a ouve... é lastimável, muitas vezes acabo de dizer, por exemplo, que meu filho foi trabalhar...e a mãe já pergunta: onde está o Samuel? está na faculdade? Outras vezes Samuel diz a ela: "chau vó, já tô indo..." então ela pergunta: "vai onde? na faculdade?"... ele responde, "não vó...já fui na faculdade, agora vou indo trabalhar...". Não passa sequer um minuto ela olha pra mim e pergunta: "o Samuel está de folga hoje? ele não vai trabalhar? ou...ele não vai na faculdade?"...Eu chego ficar agoniada pela rapidez com que ela esquece...
Outras vezes ela me conta alguma coisa...eu faço um comentário sobre o assunto...e então ela conta novamente, como se não ouvisse sequer meu comentário. Tudo isso é muito lamentável.
Mas ainda não posso reclamar, já que lendo outros blogs vejo que tem pessoas em que a DA avança de maneira muito rápida. No caso da mãe já tem um ano do diagnóstico...

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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

contar ou não contar?

Uma questão que surgiu num dos grupos do qual participo é sobre se devemos ou não contar ao paciente sobre sua enfermidade. As opiniões variam muito, algumas pessoas até demonstram certa irritabilidade ao defender seu ponto de vista. Na minha opinião - e se fosse comigo - gostaria sim, de saber. É uma questão simples de manter a dignidade da pessoa. No caso da minha mãe, não contei "com todas as palavras", porque conheço a mãe que tenho e se eu disser que o que ela tem é DA, simplesmente ela vai se deitar e ficar ali totalmente prostrada, esperando a morte chegar. A posição que tomei foi a de contar com palavras certas, na hora adequada, mesmo porque ela não é boba e questiona o porque de ter que tomar o remédio pra memória. Devagar e com o tempo fui comentando como é o processo de envelhecimento dos neurônios, expliquei que se ela esquece as coisas ou confunde tudo é porque os neurônios, que também tem 83 anos já estão cansados e assim como um motor de carro precisa de oleo pra funcionar bem, o cérebro também precisa de medicamento para se manter ativo. Como ela tem plena consciencia de que a memória dela está cada dia mais confusa, ela sempre faz algum comentário e nesses momentos aproveito e falo mais um pouco, muitas vezes digo que se ela não se cuidar poderá desenvolver Alzheimer... E é interessante como ela ainda não fez a "ligação" entre oque está acontecendo com ela e o que acontece com a avó do esposo da minha sobrinha, que também tem DA...Penso mesmo que seja providência divina, assim ela não sofre tanto.

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